O que é a Confissão Positiva?
Se você preferir clique no botão abaixo para ouvir este estudo
A Confissão Positiva (ou “Palavra de Fé”) é a crença de que as palavras humanas possuem um poder criativo intrínseco.
Segundo esta doutrina, o que você pronuncia com “fé” — seja saúde, riqueza ou desgraça — tem o poder de se manifestar na realidade física.
Exegese do Erro: A Distorção de Provérbios 18:21
O Texto: “A morte e a vida estão no poder da língua…”
Análise Exegética: No hebraico, “poder” (yad) refere-se à mão ou influência. O autor de Provérbios usa uma metáfora de sabedoria prática: nossas palavras têm consequências sociais, relacionais e legais.
A Falha Hermenêutica: A Confissão Positiva isola o versículo de seu contexto sapiencial (literatura de sabedoria) e o transforma em uma lei “física” ou “mágica”. O texto não ensina que a língua cria substância, mas que a língua pode destruir ou edificar a vida de alguém através de suas consequências morais.
As Raízes Não Cristãs (Seicho-No-Ie e o Novo Pensamento)
A Confissão Positiva não nasceu da Reforma Protestante ou do Pentecostalismo bíblico, mas de movimentos metafísicos do século XIX.
1. Novo Pensamento (New Thought)
Phineas Quimby e E.W. Kenyon introduziram a ideia de que a mente e a fala governam a matéria. Essa é a base da “Lei da Atração”, onde o universo responde às vibrações das palavras.
2. Seicho-No-Ie
Esta filosofia/religião japonesa ensina que o mundo que vemos é uma projeção da mente.
A Técnica: Através da “Palavra de Luz”, o praticante deve negar a doença e a pobreza como ilusões, afirmando apenas a perfeição.
O Paralelo: A semelhança com a Confissão Positiva é absoluta: ambas acreditam que o homem é o “arquiteto” de sua realidade através do decreto verbal.
A Diferença entre Fé Bíblica e Autossugestão
Hermenêutica: Fé em Quem?
A Bíblia define a fé como a confiança na vontade de Deus ($Hebreus 11:1$). A Confissão Positiva altera o objeto da fé:
Fé Bíblica: Fé em Deus (Deus é o agente, o homem é o pedinte).
Confissão Positiva: Fé na própria “Fé” ou na “Palavra” (O homem é o agente, Deus é o executor obrigado por “leis espirituais”).
A Soberania de Deus vs. O Decreto Humano
Na exegese de Tiago 4:13-15, o apóstolo repreende aqueles que dizem “faremos tal coisa”, afirmando que o correto é dizer: “Se o Senhor quiser…”. A Confissão Positiva nega a soberania de Deus ao tentar “determinar” ou “exigir” bênçãos, tratando Deus como um servo das palavras do crente.
O Perigo da Doutrina dos “Pequenos deuses”
Muitos proponentes desta técnica ensinam que, como fomos criados à imagem de Deus, temos a mesma habilidade de “chamar à existência as coisas que não são”.
Análise de Romanos 4:17
O Texto: “…Deus… que chama as coisas que não são como se já fossem.”
Erro de Aplicação: O sujeito do versículo é Deus. Em nenhum lugar das Escrituras essa prerrogativa divina é transferida ao homem. Tentar fazer o que Deus faz (criar do nada) é a repetição da tentação do Éden: “Sereis como Deus”.
O Cristão e o Sofrimento
A Confissão Positiva falha hermenêuticamente ao não explicar o sofrimento de servos fiéis como Paulo, que teve um “espinho na carne” e, mesmo orando, ouviu de Deus: “A minha graça te basta” ($2 Coríntios 12:9$). Pela lógica desta doutrina, Paulo teria “confessado negativamente”.
Conclusão – Uma Doutrina Antropocêntrica
A Confissão Positiva carece de base bíblica pois:
1. É centrada no homem: O foco é o bem-estar e o poder humano, não a glória de Deus.
2. Ignora a Queda: Trata o homem como se ele tivesse autoridade divina total antes da glorificação.
3. É Misticismo Disfarçado: Utiliza a Bíblia como um livro de “encantamentos” em vez de revelação do caráter de Deus.
Veredito: A técnica de “decretar” ou “determinar” as coisas através da fala aproxima-se mais do ocultismo e de religiões panteístas (como a Seicho-No-Ie) do que do cristianismo histórico, onde a oração é uma petição humilde submetida à vontade do Pai.
Baixar
