Por que alguns oram e são curados e outros oram e não são curados?
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O Deus de Propósitos: O Mistério da Oração e da Cura
A pergunta que ecoa nos séculos de fé cristã é, talvez, uma das mais difíceis de responder: “Por que alguns oram e são curados, enquanto outros oram e não são?” Para compreender essa dicotomia, precisamos olhar além das circunstâncias humanas e fixar nossos olhos na soberania Daquele que detém o controle sobre o tempo e a eternidade.
O Senhor do Tempo e das Épocas
A base para qualquer entendimento sobre a vida reside na afirmação de que Deus é o autor da história. Como declara o Pregador em Eclesiastes: “Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer” (Eclesiastes 3:1-2).
Não nos cabe o domínio sobre o calendário divino. Quando questionado sobre o futuro, Jesus foi categórico: “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade” (Atos 1:7). Esta autoridade estende-se inclusive ao momento final da nossa jornada terrena. Como Jesus afirmou perante Pilatos, nenhuma autoridade humana teria poder sobre a vida se esta não fosse “dada de cima” (João 19:10-11).
A Escrita dos Dias: O Livro de Deus
Nossa existência não é um conjunto de acasos. O Salmista revela que a duração da nossa vida está intrinsecamente ligada ao cumprimento de um propósito: “Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir” (Salmos 139:16).
Para reforçar essa verdade, podemos observar a promessa de Jó 14:5:
“Os dias do homem estão determinados; tu decretaste o número dos seus meses e estabeleceste limites que ele não pode ultrapassar.”
Isso significa que a cura ou a morte não são acidentes de percurso, mas o cumprimento de um cronograma estabelecido pelo Criador para que Seus propósitos se realizem através de nós.
Contrastes de Propósito: Pedro e Tiago
O livro de Atos nos apresenta um dos maiores paradoxos da fé. O rei Herodes iniciou uma perseguição severa contra a Igreja:
Tiago, irmão de João, foi morto à espada
Pedro, em circunstâncias semelhantes, foi libertado da prisão por um anjo de forma miraculosa.
Por que um morreu e o outro foi livre? Seria a oração por Pedro mais forte? A resposta reside na “autorização do céu”. Pedro ainda tinha uma missão a cumprir na expansão da Igreja primitiva; Tiago, porém, já havia completado sua carreira e selado seu testemunho com o sangue.
Quando a Oração Altera o Relógio: O Caso de Ezequias
Deus, em Sua soberania, também é sensível ao clamor de Seus filhos. O rei Ezequias recebeu um veredito de morte pelo profeta Isaías: “Ponha em ordem a sua casa, pois você vai morrer”. Contudo, diante de uma oração sincera e regada por lágrimas, Deus respondeu: “Ouvi sua oração e vi suas lágrimas; eu o curarei… Acrescentarei quinze anos à sua vida”.
Aqui vemos que a cura serve a um propósito maior: a preservação de uma linhagem e a defesa de Jerusalém. A vida de Ezequias foi poupada não apenas para seu benefício, mas para a glória de Deus perante as nações.
A Sobrevivência em Meio ao Caos
A história bíblica é repleta de homens que sobreviveram ao impossível porque o “seu tempo” ainda não havia chegado:
-José do Egito: Não morreu na cova nem na prisão, pois deveria salvar sua família da fome.
-Daniel: Permaneceu ileso na cova dos leões para que o nome de Deus fosse glorificado no império persa.
-Sadraque, Mesaque e Abede-Nego: A fornalha não os queimou, pois o propósito de testemunhar a soberania de Deus era maior que o fogo.
Isso ecoa a promessa de Isaías 43:2: “Quando você passar pelo fogo, não se queimará; as chamas não o consumiriam.”
Conclusão:
O Conflito entre Nossos Planos e os de Deus, muitas vezes, nossa dificuldade em aceitar a “não cura” reside no fato de que nossos planos focam no alívio imediato da dor, enquanto os planos de Deus focam na eternidade. Quando Pedro tentou dissuadir Jesus de enfrentar a cruz, ouviu uma dura repreensão: “Você não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens” (Mateus 16:23).
Devemos confiar que, quer recebamos a cura física, quer sejamos chamados à glória, o propósito final é que o nome do Senhor seja exaltado. Como Paulo escreveu em Filipenses 1:21: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro”.
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