Por que muitas coisas que eu peço a Deus eu não recebo ?
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Exegese – A Natureza das Dádivas de Deus (Mateus 7:7-11)
1. O Imperativo do Pedido (Aiteite, Zeteite, Krouete)
A exegese de Mateus 7:7 destaca três verbos no imperativo grego: “Pedi”, “Buscai” e “Batei”. No contexto do Sermão do Monte, Jesus incentiva a persistência na oração.
No entanto, a análise dos versículos 9 a 11 introduz a analogia da paternidade.
O Pai e o Filho:
Jesus pergunta se um pai humano daria uma pedra em vez de pão, ou uma serpente em vez de peixe.
A Qualidade da Resposta: A conclusão exegética no versículo 11 é crucial: “Pai que está nos céus dará “boas coisas” aos que lhe pedirem”.
A ênfase não recai sobre a entrega de “qualquer” coisa que o homem peça, mas de coisas que Deus, em Sua perfeição, classifica como “boas”.
2. O Problema do Pedido Equivocado (Tiago 4:1-3)
Complementando a análise, a exegese de Tiago 4:3 revela por que muitos pedidos são frustrados: “Pedis e não recebeis, porque “pedis mal”, para o gastardes em vossos deleites”.
O termo grego para “deleites” (hedonais) refere-se a prazeres egoístas e desejos sensuais. Aqui, a Escritura define um limite ético e espiritual para a oração: pedidos que visam apenas o prazer próprio, fora da vontade de Deus, não encontram ressonância divina.
Hermenêutica – A Perspectiva Limitada vs. Onisciência Divina
1. O Caminho da Morte e a Ilusão da Bênção (Provérbios 14:12)
Hermenêuticamente, precisamos entender que a visão humana é restrita. “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte”.
A Visão dos Morros:
Vamos imaginar como exemplo um campo: o homem vê uma nota de R$ 100 no segundo morro e volta feliz, achando que foi abençoado. Contudo, Deus, olhando de cima, vê que nos morros seguintes havia barras de ouro.
Muitas vezes, o que pedimos (os R$ 100) é uma “migalha” que nos impede de alcançar o propósito maior de Deus, as barras de ouro.
2. A Pré-ciência no Cotidiano
A interpretação aplicada a situações modernas (como a compra de um carro) demonstra que Deus sabe o que acontecerá daqui a 5 anos.
Um pedido pode ser negado porque Deus sabe de uma futura demissão ou enfermidade na família que exigirá aqueles recursos.
O “não” de Deus é, portanto, um ato de amor e preservação baseado na Sua onisciência.
3. O Erro da Busca por Confirmação
Hermenêuticamente, existe um perigo de “forçar” uma resposta positiva, ignorando sinais negativos de Deus até encontrar alguém ou algo que diga o que queremos ouvir.
Isso não é buscar a vontade de Deus, mas tentar validar a própria vontade.
Aplicação Prática – Desconstruindo a Meritocracia e a Servidão
1. O Mito do Mérito (Lucas 17:10)
Uma das maiores barreiras para entender o silêncio de Deus é a mentalidade meritocrática. “Eu sou fiel no dízimo, não falto aos cultos, por que não recebi?”.
Servos Inúteis: A aplicação prática baseia-se em Lucas 17:10: “Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer”.
A obediência não é uma moeda de troca para obrigar Deus a cumprir nossos desejos.
2. A Soberania do Senhorio
O cristão deve redefinir sua relação com Deus: Ele é o “Senhor” e nós somos os “servos”.
Um servo não dá ordens ao senhor. Se Deus não concedeu algo após anos de oração e campanhas, o cristão deve aceitar que aquilo não é o melhor para sua vida ou não está alinhado ao plano divino.
Conclusão:
A oração não é um mecanismo para dobrar a vontade de Deus à nossa, mas para alinhar nossa vontade à d’Ele. Deus sempre ouve, mas Suas respostas — Sim, Não ou Espera — são todas baseadas na Sua bondade e plano eterno. Quando Ele nega uma “serpente” que pedimos pensando ser um “peixe”, Ele o faz para nos dar algo verdadeiramente bom.
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