O que é o Arrebatamento?
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Estudo Bíblico: O Mistério da Nossa Reunião com Cristo
1. A Promessa do Noivo: Segundo as Palavras de Jesus
Texto Base: João 14:1-3
Exegese:
Jesus profere estas palavras no contexto do Cenáculo, pouco antes da sua crucificação. O termo grego monai (moradas) no v. 2, na cultura judaica da época, remete à tradição do casamento. O noivo, após o noivado, voltava para a casa do pai para construir um anexo onde o novo casal moraria.
Hermenêutica:
A Certeza do Retorno: Jesus não fala de um evento vago, mas de uma promessa pessoal: “virei outra vez”.
O Propósito: O objetivo do arrebatamento não é apenas “escapar do mundo”, mas a comunhão eterna: “para que onde eu estiver, estejais vós também”.
Conexão Escatológica: Embora Jesus não use a palavra “arrebatamento” aqui, Ele estabelece o fundamento teológico: a separação temporária de Seus discípulos que terminará em uma reunião física e espacial.
2. A Mecânica do Evento: Segundo 1 Tessalonicenses 4
Texto Base: 1 Tessalonicenses 4:13-18
Este é o texto “clássico” sobre o tema. Paulo escreve para consolar os cristãos que temiam que seus entes queridos falecidos perdessem a vinda de Cristo.
Exegese:
Harpazo (v. 17): O verbo usado para “arrebatados” descreve uma ação súbita e irresistível. É a mesma palavra usada para descrever Filipe sendo levado pelo Espírito em Atos 8.
Parousia: A palavra para “vinda” (v. 15) era usada para a visita oficial de um rei ou imperador a uma cidade.
A Ordem dos Eventos: 1. O brado, a voz do arcanjo e a trombeta de Deus.
2. A ressurreição dos mortos em Cristo.
3. A transformação e o arrebatamento dos vivos.
4. O encontro com o Senhor “nos ares” (eis aera).
Hermenêutica:
Diferente da Segunda Vinda em glória (onde Jesus pisa na terra), no arrebatamento a Igreja se encontra com Ele nos ares. Paulo usa a imagem de um “encontro” (apantesis), que na cultura antiga era quando os cidadãos saíam das portas da cidade para receber um dignatário e escoltá-lo de volta.
3. O Destino Final: Segundo Apocalipse 21
Texto Base: Apocalipse 21:1-7
Aqui precisamos de uma hermenêutica cuidadosa. Apocalipse 21 não descreve o momento do arrebatamento, mas o estado eterno resultante da vitória de Cristo.
Exegese:
Nova Jerusalém: João vê a cidade santa descendo do céu. Note que ela é adornada “como uma noiva”. Há uma clara continuidade com a promessa de Jesus em João 14.
Tabernáculo (v. 3): O termo skene indica a presença habitável de Deus. O arrebatamento é o meio pelo qual a Igreja é levada para este estado de comunhão plena onde “não haverá mais morte, nem pranto, nem dor”.
Hermenêutica:
Se 1 Tessalonicenses foca no como, Apocalipse 21 foca no para onde. O arrebatamento é o “portal” que introduz a Igreja na realidade da Nova Jerusalém. Enquanto o mundo passa pelo julgamento, o destino da Igreja é a união plena com Deus, onde a distinção entre Céu e Terra é superada pela presença de Deus entre os homens.
Conclusão e Aplicação Teológica
Ao cruzar estes três textos, observamos um padrão consistente:
1. Iminência: O cristão deve viver como se o encontro pudesse ocorrer a qualquer momento (Mateus 24:44).
2. Consolo: O objetivo do estudo do arrebatamento não é causar medo ou gerar gráficos cronológicos complexos, mas consolar os crentes (1 Ts 4:18).
3. Santificação: A esperança do retorno de Cristo é o maior motor para uma vida santa (1 João 3:3).
O arrebatamento é a consumação da nossa redenção, onde o que foi iniciado na cruz é completado na transformação do nosso corpo mortal em corpo glorificado.
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