O que é o Antigo Testamento?

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Título: O Antigo Testamento: Alicerce, História e Formação do Cânon

1. Definição e Natureza do Antigo Testamento
O Antigo Testamento (ou Escrituras Hebraicas) é a coleção de 39 livros (no cânon protestante) que registra a revelação de Deus à humanidade, desde a criação até o período que antecede o nascimento de Cristo.
Perspectiva Exegética: O AT é o registro da Berit (Aliança). Ele não é um livro de “história civil”, mas uma história de salvação (Heilsgeschichte), escrita em diversos gêneros: lei, profecia, sabedoria e poesia.
Perspectiva Hermenêutica: O cristão interpreta o AT como a fundação sobre a qual o Novo Testamento é construído. Ele é a “promessa” que encontra seu “cumprimento” em Jesus.

2. A Redação: Quando foi escrito?
A composição do AT abrange aproximadamente mil anos de história (c. 1400 a.C. a 400 a.C.).
O Pentateuco (Torá): Tradicionalmente atribuído a Moisés (século XV ou XIII a.C.). A exegese moderna observa que, embora a essência seja mosaica, houve edições posteriores para atualização da linguagem.
Livros Históricos e Proféticos: Foram compilados durante a monarquia em Israel e, crucialmente, durante e após o Exílio Babilônico (586 a.C.), quando a identidade de Israel precisava ser preservada.
O Período de Silêncio: A escrita canônica encerra-se com Malaquias, por volta de 400 a.C., iniciando o período intertestamentário.

3. Transmissão: Como chegou até nós?
A preservação do texto do AT é um dos maiores milagres da história documental.
Os Guardiões do Texto
1. Os Escribas (Sopherim): Responsáveis pela cópia meticulosa dos manuscritos.
2. Os Massoretas (Séculos VI a X d.C.): Desenvolveram o Texto Massorético, criando um sistema de pontos vocálicos e notas marginais para garantir que a pronúncia e o sentido do hebraico original não se perdessem.
3. Os Manuscritos do Mar Morto (Qumran): Descobertos em 1947, esses manuscritos datam de 200 a.C. e provaram que as cópias que tínhamos (mil anos mais novas) eram incrivelmente precisas.

4. O Cânon do Antigo Testamento: Critérios de Seleção
O Cânon Hebraico é conhecido como Tanakh, um acrônimo para Torá (Lei), Nevi’im (Profetas) e Ketuvim (Escritos).
Critérios de Canonicidade:
Inspiração Divina: O livro era reconhecido como tendo a autoridade do “Assim diz o Senhor”.
Autoria Profética: O autor deveria ser um profeta ou alguém com autoridade divina reconhecida (ex: Moisés, Davi, Salomão).
Consistência Interna: O conteúdo não poderia contradizer a Torá (a revelação fundamental de Moisés).
Recepção Pelo Povo: O livro já era usado e aceito como sagrado pela comunidade de Israel antes de qualquer concílio formal.
Diferença de Cânons: A Igreja Católica e a Ortodoxa utilizam a Septuaginta (tradução grega do AT), que inclui livros Deuterocanônicos (como Macabeus e Judite). Já o cânon protestante segue o cânon judaico da Palestina (39 livros), por considerar que os livros extras não constavam na Bíblia que Jesus e os apóstolos citavam como autoridade.

5. Exegese e Hermenêutica Aplicada
Para estudar o AT hoje, o estudante deve aplicar dois movimentos:
O Passo Exegético (O Contexto)
Deve-se entender que o AT foi escrito em um contexto do Antigo Oriente Próximo. Por exemplo, as leis de Levítico devem ser comparadas com códigos da época (como o de Hamurabi) para notar como a ética bíblica elevava a dignidade humana acima das culturas vizinhas.
O Passo Hermenêutico (A Aplicação)
Como aplicar leis dietéticas ou sacrifícios de animais hoje? A hermenêutica cristã utiliza a Cristocentridade. Entendemos que as leis cerimoniais cessaram em Cristo (o sacrifício perfeito), mas os princípios morais (santidade, justiça, amor a Deus) permanecem eternos.

6. Conclusão:
O Antigo Testamento é o registro da fidelidade de Deus em preparar um povo para o Messias. Ele chegou até nós através de um processo de preservação quase sobre-humano pelos judeus e é validado pelo próprio Jesus, que o citou como a autoridade final para sua missão.

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