Por que Deus não nos liberta de tudo?

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Uma das maiores dúvidas no meio cristão é o motivo pelo qual Deus, sendo todo-poderoso, permite que Seus filhos ainda lutem contra certas fraquezas, pensamentos ou inclinações, mesmo após anos de caminhada cristã. Precisamos compreender que a jornada terrena não é a ausência de conflitos, mas a gestão deles através da graça.

A Luta Contra a Carne: Uma Guerra Diária
Ao aceitarmos a Cristo, nosso espírito é vivificado, mas nossa carne — a nossa natureza humana corrompida — permanece conosco até o dia da nossa morte. É por isso que o apóstolo Paulo afirma que a carne milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne; eles são opostos.

Jesus foi claro ao dizer: “Aquele que quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me”. A “cruz” mencionada aqui não é um sofrimento externo, mas o sacrifício diário das nossas próprias vontades e desejos desenfreados (concupiscências).

O Mistério da Graça e o “Espinho”
Muitos acreditam que a libertação significa o fim do desejo ou da tentação, mas a Bíblia nos mostra um caminho diferente através da vida de Paulo. O apóstolo relata ter um “espinho na carne”, um mensageiro de Satanás que o esbofeteava. Três vezes ele rogou ao Senhor que o afastasse, mas a resposta de Deus foi surpreendente:

“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”

Deus permitiu que Paulo convivesse com aquela limitação para que ele não se ensoberbecesse. Isso nos ensina que algumas lutas são mantidas em nossas vidas para nos manter dependentes de Deus e humildes diante de Sua soberania.

A Diferença entre Lutar e Praticar
Existe uma distinção fundamental entre o cristão que luta contra uma obra da carne e aquele que a pratica deliberadamente.

-Lutar: É sentir a inclinação ou a tentação, mas subjugá-la, levá-la à escravidão e buscar o domínio próprio.

-Praticar: É ceder habitualmente ao erro sem arrependimento, o que, segundo as Escrituras, impede a herança do Reino de Deus.

A Natureza da Tentação
Tiago 1:14-15 nos dá o mapa da queda: “Cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência”. A tentação não é o pecado em si, mas o convite. O pecado só nasce quando o desejo é concebido pela vontade humana. Deus não nos liberta da capacidade de sentir tentação, pois é através da resistência que nosso caráter é provado e aprovado.

Conclusão:
A Libertação Final, a
 libertação total e definitiva das inclinações carnais só ocorrerá no dia da nossa morte ou no arrebatamento, quando este corpo corruptível se revestir da incorruptibilidade. Até lá, vivemos o processo de santificação:

-Reconhecer as obras da carne que operam em nós.
-Subjugar o corpo diariamente.
-Depender da graça, que é o poder de Deus operando onde somos fracos.

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